Cláudia Cassoma12 Comments

Desta vez a culpa foi minha

Cláudia Cassoma12 Comments
Eu estava cansada de me masturbar, de nada sentir ou de sentir que era a única que pela estabilidade da relação lutava, já não me queria estuprar a mente com aqueles pensamentos. Estava cansada de chorar pelos cantos, de me sentar nas pontas da cama esperando por uma atitude tua quando meu canal se assava pela ausência do teu tubo canalizador. Eu só estava cansada de me cansar.
Mas não queria bater a porta antes de tentar pelo menos arrumar o quarto, antes de eliminar os dois últimos pontos das reticências e declarar ponto final. No fundo acreditei já ter feito tudo, mas alguém me disse que era apenas o possível, e se realmente quisesse restituir precisava agora fazer o impossível, pois também era possível, foi então que decidi fazer mais alguma coisa, ainda que significasse a última...
Talvez não foi essa pessoa a culpada pela minha atitude, talvez eu não fui influenciada, nem obrigada a chegar nesse degrau, talvez meu entendimento se desviou, ou algo assim, mas agora já não importa também. Eu só queria corrigir, eu só queria voltar a sentir a batida do teu coração quando junto ao meu, voltar a ver o brilho dos teus olhos ainda que em milhas distantes, eu só queria acreditar que entre nós ainda existia amor.
Na verdade nunca entendi a razão do vazio, mas quando o contrário era desejo, deixou de ser importante. Meu desejo era apenas fazer algo diferente e despertar teu interesse. Talvez fosse esse o problema ou talvez nunca teve um problema e eu o criei, talvez fosse apenas uma questão de tempo e não renovação. Mas temo que isso jamais saberei!

Mas deixa aqui concordar que a noite foi maravilhosa, louca, excitante, completa, só não foi apenas nossa.
Em todos esses anos de namoro nunca me senti tão bem usada, todos os meus caminhos bem explorados, deixando meus líquidos bem expostos, provocando o mais alto dos meus gritos, me tornando leve e flexível. Nunca senti teus ossos tão próximos do meus, pareceu que as forças outrora por ti acumuladas decidiram no instante causar em ti tal explosão, misturando um sentimento de raiva ou algo assim, um desejo violento de me perfurar o que já era cavidade, deixando bem à vista meu interior.
Exploraste cada canto de mim, como se já tivesses conhecido o fim... Foi um momento literalmente único.
Foi a primeira vez que meus olhos te tiveram tão duro e forte, selvagem e ao mesmo tempo suave e desejoso. Só não percebi se toda aquela vontade, entusiasmo, a força aplicada, as pegadas, as operações físicas e químicas, só não percebi se tudo aquilo foi mesmo por amar, por querer, por desejar o mesmo que eu ou apenas uma forma de se livrar de mim satisfeito. Uma forma de deixar claro que aquela foi a ideia mais absurda que tomei, mas que no fundo te agradou e talvez sempre esperou.

Infelizmente, a ideia de fazer algo diferente resultou nisso, no fim do resto do que já não havia. Nesse hoje solitário. Resultou na mais nova foto para o meu armário e nada mais do que isso. E se teve um outro jeito jamais saberei, ou que no fundo já não eras mesmo meu , que com ou sem ela em nossa cama, futuro já não nos esperava. E de tudo que poderia falar, de todas outras formas de me culpar prefiro calar, talvez meu "eu" engula tão podre ser que me dei a ser e me ajude a esquecer esta loucura, e a aceitar que acabou. Respirar e assumir que desta vez a culpa foi minha.
Cláudia Cassoma, ou Laudy como prefere ser chamada é uma Jovem Angolana apaixonada pela arte de escrever, expressando em sua poesia suas mais intimas ideias e inquietações sobre a realidade que a rodeia. Seu primeiro encontro com a arte de escrever debuta desde os seus 9 anos e foi amadurecendo com ela até "Amores que nunca vivi".