...mas talvez de algo me vá valer!


Aqui sentada tudo é mais difícil, este quarto abafado de ti me absorve sem piedade, os restos da tua alma me conduzem a loucura, o vapor do teu respirar ainda é daqui o aroma, não mais me consigo sustentar, até o mais frágil ar, agora me pode abanar. Sinto-.me cada vez mais sufocada pelo cheiro de ti nos lençóis, o creme que me foi por muito bom alimento, dele ainda há restos pelo chão.
Sabe aquelas roupas por ti outrora usadas?! exactamente...continuam sujas e aqui. Insuportavelmente ouço ainda meus gritos, sinto teu toque em mim, Ai! não aguento mais.
Aqui sentada  não sei porquê continuo, mesmo me martelando as lembranças...sendo por elas cortejada tenho sido, mas não me consigo desconectar, por mais duro que seja. As vezes me sinto confortável com tanta dor, sinto que me sobra um pouco de vida ainda, mesmo quando nado em fogo me vêm sonhos de ti, consigo ainda sorrir no trancar dos meus olhos pelo choro, consigo ainda ver alguma luz na escuridão que me encontro.  Me maltrata sim tantas lembranças de nós, sou consumida sem cortejo nem piedade, mas enfim...talvez de algo me vá valer tanto crepúsculo.