Aceitava ser chamada de menina
respeitava e aceitava a sina
humilhava-me diante dos inimigos
cumpria os castigos
olhava com olhos fechados
não se deitava aos pecados
era inocente,
tinha alma transparente
tinha a lua como amiga
o sol era a minha estrela favorita,
era tão pequenina!
parecia até uma princesa
penteava os cabelos como tal
e não atentava para o mal
era totalmente natural
o cabelo era duro como o esfregão
a pele escura como carvão
não me envergonhava da minha realidade
não que me envergonhe agora
mas as coisas mudam ao passar a idade
era admirada pelos que acreditavam
naquela menina ingénua e inteligente
"tão pequena já tão sábia"
era o que se dizia,
corria atrás dos sonhos
até pelos caminhos mais escuros
não era como um génio
mas de longe já sentia o veneno
era estudiosa e não muito vaidosa
era aprendiz e delicada
brincava com as coisas mais fúteis
n´altura indispensáveis
era a menina mais linda
para os que defendiam isso
chorava para limpar a alma
mais chorava com calma
contava ao além os meus problemas
afastava-me das pessoas
dizia não ter amigos
quando estavam sempre comigo
sentia-os distantes quando ao perigo
acreditava na solidão
como única solução
era como nada em tudo
e como tudo em nada
não sei se mudei
mas sei que cresci
hoje sou uma mulher
se assim o posso dizer
cheia de desejos
é confiante nos meus anseios
livre e em liberdade
não me importa a idade
sei viver a realidade
doo-me a responsabilidade
hoje sou uma mulher
que sabe o que quer
que sabe como viver
talvez não sei o que espero
mas simplesmente confio
na pessoa que me mora
e essa sou eu ; essa é a Cláudia.
Cláudia Cassoma, ou Laudy como prefere ser chamada é uma Jovem Angolana apaixonada pela arte de escrever, expressando em sua poesia suas mais intimas ideias e inquietações sobre a realidade que a rodeia. Seu primeiro encontro com a arte de escrever debuta desde os seus 9 anos e foi amadurecendo com ela até "Amores que nunca vivi".