sei dela como jamais

a rua que desce

o rio que corre

paredes nuas

rachadura

sei dela

no caducar do outeiro

no fragmentar do passeio

pegadas dos idos dias

ecos das passadas alegrias

sei dela como jamais

estão nas brechas deste logradouro

saltos de folia de miúdo

tempos d’ouro

nas finas areias do musseque

saltos de moleque

o vento, a voz

do tempo presente, a foz

nos lábios grossos de então

manchas dos beijos meus

no ir dos lados teus

resultado do livrar de minha mão

corpos satisfeitos

sei dela de jeito desigual

o berrante nas flores

a ligadura nas dores

nos retângulos de corridas noventa

suor dos candengues dispostos

mulheres em embrulhos

homens com entulhos

lugar de levar à lugares

corredor de dias alegres

nos espaços trancados

canções destemidas

vestígios de sorrisos sem mistura

sei dela do jeito meu

sei dela como jamais

Poema vencedor do  Prémio Maria José Maldonado de Literatura 2016. 

Cláudia Cassoma, ou Laudy como prefere ser chamada é uma Jovem Angolana apaixonada pela arte de escrever, expressando em sua poesia suas mais intimas ideias e inquietações sobre a realidade que a rodeia. Seu primeiro encontro com a arte de escrever debuta desde os seus 9 anos e foi amadurecendo com ela até "Amores que nunca vivi".