Cláudia CassomaComment

se te amo, não sei

Cláudia CassomaComment

acompanho o descompassado dançar das borboletas no meu estômago

confesso que me abrasas o âmago

mas não sei se te amo

teu falar me robustece 

teu olhar me desgoverna

ao chegares, tristura desaparece 

mas não sei

sou réu confesso 

mas só do que vejo

o dilatar dos meus poros só pela tua presença

o inquietar do meu centro pelo atear dos teus olhos

tenho em mim essa loucura

por algures tal demência 

sinto-te nos fundos 

mas se te amo, não sei

sim, vou pelo dia a cantar 

és minha melodia 

mas desconheço essa magia 

carrego, sem dúvidas, o medo de te perder

isso me faz escurecer

mas se é amor, não saberia dizer

ocupas as vias da minha noturna liberdade

fazes-te perfeita quimera

mas não me atreveria 

não sei se é essa alegria 

a vendida em capas coloridas

em papéis com compostas vidas

não sei, mas:

vejo-te nas linhas de Camões 

no arder de outros corações

ouço-te em canções 

no cair dos meus calções 

ó meu amor, vejo-te! 

mas não sei

talvez!

paralisas a minha figura

alumias a minha esquina

outra coisa não pode ser

o que há muito foi só ver

ouvir ou ler

hoje faz-se meu viver

mas se te amo, não sei

independentemente da asserção que me toma 

não sei como se ama

então não sei

Cláudia Cassoma, ou Laudy como prefere ser chamada é uma Jovem Angolana apaixonada pela arte de escrever, expressando em sua poesia suas mais intimas ideias e inquietações sobre a realidade que a rodeia. Seu primeiro encontro com a arte de escrever debuta desde os seus 9 anos e foi amadurecendo com ela até "Amores que nunca vivi".