Cláudia CassomaComment

Ama-me assim mesmo

Cláudia CassomaComment
Foto retirado do Google

Foto retirado do Google

verás no entesar dos meus poros 

sentimento penoso pelo acto indecoroso 

mas ainda que assistires o cansar dos meus olhos

o franzir do meu rosto

mesmo com a reservada entrega

se ao me tocares emagrecer

procura-me nas impurezas do teu edredom

estreite tuas pegadas e encontre em mim a Serra da Leba 

tenha a parte côncava da tua mão no meu resvaladiço traseiro 

e ama-me

antes que escorregue por inteiro 

ama-me sem piedade

ama-me como se fosses apenas tu

atice a ponta do meu cajú 

ainda que notares na minha nudez indiferença

evite o murchar da tua peça

assim mesmo, tenha-me

vá pelos contornos da cicatriz arredondada no centro-sul abdominal 

quiçá despertes o vulcão há muito adormecido 

ou descerres os olhos receosos 

causes o sorriso indeferido 

então vá 

ama-me assim mesmo

regue a terra da minha boca

com teu doce humor aquoso 

encha meu peço com o outro 

e tenha-me 

ama-me assim mesmo

com o nublado dos meus sentimentos 

o excesso dos meus receios 

ama-me do teu jeito 

e caso te inquiete a singularidade

ama-me para que te ame

Cláudia Cassoma, ou Laudy como prefere ser chamada é uma Jovem Angolana apaixonada pela arte de escrever, expressando em sua poesia suas mais intimas ideias e inquietações sobre a realidade que a rodeia. Seu primeiro encontro com a arte de escrever debuta desde os seus 9 anos e foi amadurecendo com ela até "Amores que nunca vivi".