Cláudia CassomaComment

Não soube me amar

Cláudia CassomaComment

         

          O mesmo homem que me teve em suas vias, em seus braços, o mesmo que me agarrou pelas cavernas dos ombros, me teve aos saltos, o homem que me olhou nos olhos e me levou a viajar, não soube me amar. 

          Evoco dias frios que se fez das mais mornas mantas, me deixou cantar pela noite sem reclamar, apoiada as mesmas mãos que me foram apertar estava a cabeça cheia de mim, brilhava os olhos ao contemplar meu viajar, mas nada me convence, não era amor.

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           Homem largo e alto, tinha sempre algo, me deixava passar por seu corpo partes de mim, viajava então pelos blocos em seu peito partindo-os quase com moles dentaduras. O agitar sensual da sua figura ao lhe sugar o umbigo não cheirava o sentimento ardente de Camões, nem a ânsia na carta daquele contratado.

          Me levou várias vezes pela bunda, deixando dançar meus pés em suas costas ao se deleitar do tecido cartilaginoso do meu escutador. Mordeu-me com dentes pávidos, mas nem assim traduziu amor este homem que se encheu de mim, me teve nas muitas faces da noite, nunca me amou, nem mesmo quando me atulhou amor. 

          Pelas minhas vias, um dia peças finas, peças poucas, peças nulas, uma dança, um olhar, me deixei tomar e me teve então, esse homem dos meus dias curtos, homem que teve meus lábios mudos, homem com tudo, homem que não soube me amar. 

Cláudia Cassoma, ou Laudy como prefere ser chamada é uma Jovem Angolana apaixonada pela arte de escrever, expressando em sua poesia suas mais intimas ideias e inquietações sobre a realidade que a rodeia. Seu primeiro encontro com a arte de escrever debuta desde os seus 9 anos e foi amadurecendo com ela até "Amores que nunca vivi".