Rogo à Elucidação

Queria saber se sentistes

se algo despertou tua atenção,

se puder me explica.

Muitos dizem ser possível

- quase sempre é, dizem eles.

Os lábios se azedam, 

já nada exala coisa alguma.

Os olhos ardem,

a música cessa aos poucos.

Almejo saber se você sentiu,

se também te tremeram as pernas,

se perdestes balanço.

Dizem que a pele amarela, seca. Sentistes?

O interior se enxuga. Fez o teu?

Não te vi magro,

me diz,

antecipastes este momento?

Não sei se creio

mas ouvi que se sabe dos que ficam,

dos que vão gritar alivio,

dos que perdem o caminho;

sabe-se dos choros, dos sorrisos,

das lembranças, de tudo.

Me diz então! Sabias tu? 

Vistes naquele ecrã meu pobre rosto se enrugar,

meus ossos,

antecipastes meu lamento.

Sabias tu dessa dor de hoje,

da escassez de medicamentos,

do roer do peito.

Sabias?

Me diz, sabias?

 

Porque nada fizeste? 

Cláudia CassomaComment