Senhor da vida , leva-me para longe

Do outro lado da janela

pela suja cortina escondida 

embaciando-me o rosto

fazendo de seu suor 

dos meus olhos o calor;

Separada do mundo

pela realidade social

ou mais do que isso,

nada comigo tenho

senão meu ser desprezível;

Vestes impuras

rosto com rugas

quando ainda criança,

mergulhada numa grande falta de esperança

onde nem meu respirar mais importa

Senhor da vida, leva-me para longe

longe deste ser pobre

longe do nada que me tornei

longe de tudo

longe do mundo;

De nada me servem os aplausos

quando minha peça

é neste sujo palco apresentada,

nem então a melodia

se só a letra não tem em si alegria;

Senhor da vida

esta é minha súplica

é pela qual me emagreço,

eu peço

leva-me para longe;

Sou eu a do lado de lá

residente da terra seca

filha da fome

cliente da morte

o cúmulo do nada;

Se me for aqui reduzida

a pouca vida que me resta,

prefiro às pressas minha ida

pois sendo ainda criança

e já o cúmulo da desgraça

Ah! de nada me vale então tal vida.