Apagão

Sentada no parque da minha comunidade, tentando receber da natureza alguma inspiração, cada segundo que se punha a marcar o meu relógio era o piorar dos meus desejos frustrados. Sentia ainda aquele sangue poético em meu corpo, mas disso não passava,"um desejo, uma vontade imensa de algo contar com minhas letras"

.  Meu coração deu-se a acelerar, minha boca tentou falar, meus olhos tentaram representar, mas de nada me valeu tanto esforço, pois de mim nada saiu. Parecia que o mundo conspirava contra mim, tudo em mim se conectava, menos minhas mãos, parecia que se levantaram num protesto onde se negaram a escrever qualquer coisa, por mais simples que fosse. De repente até o sol se foi dar ao descanso, apagando as luzes daquele lugar, o ar parou de soprar meus cabelos e aquele grito se calou por instantes também. Vi-me num vazio profundo, banhei-me numa impercebência, joguei-me num distante universo de porquês. Não tardou, os olhos começaram a representar, dizendo naquela cena que se encontravam cansados e precisavam se fechar. Oh, meu Deus!!! O que se passa? Pra onde foi meu "Ser Poeta"? Em que horizonte descansa minha paisagem? E Deus me respondeu com o rebrilhar do sol, dizendo: "até os maiores poetas conhecem o apagão".

Obs: Não sei exactamente o que se passa, mas "não me sinto mais"... realmente vivo este apagão durante estes dias (feliz ou infelizmente).