Das drogas à morte

Decidi fazer uma viagem

conhecê-la na plenitude

ainda que lhe faltando virtude

decidi me jogar à margem...

Me deixei levar pela sua aparência

experimentei sua essência

lhe tive como minha alegria

depositei-lhe minha dependência

foi a solução para meus momentos de carência

entreguei-lhe minha falência

me dei cego, surdo e mudo

tudo em volta me era absurdo

deixei de ser apenas eu

passei a ser também filisteu

fervi de desejo

foi meu único amigo

consagrei-me escravo

nada me fazia mais feliz e completo

que aquele pau preto;

via-lhe como pra alma sossego

afinal foi o suficiente

pra me fazer hoje paciente

desta cama dependente

de saúde carente

 do ontem carregado de arrependimento

daquele sempre tardio

e as vezes irrecuperável

decidi fazer uma viagem

sem conhecer a local de aterragem