Ninguém merece, mas eu gosto!

          Todos os dias é a mesma coisa, o mesmo prazer artificial.

Chegas a casa cansado, com o respirar acelerado e em fortes pausas, como  se acabasses de sair de  num tanque d'água. Apresentas fissuras de raiva por todas as partes do rosto, olhar alvorado se mostra em negror, como se tal período fosse pra ti só terror.

         Num passado não tão distante, eu era mais sexy e excitante, nada tinha para fazer senão lhe proporcionar satisfação, mas in-felizmente desde que me dei a lavar e a passar , pareço sem força ao final do dia, de tanto que me exploro por detrás daquele tanque de pedra do rico-tradicional. Nesses instantes tudo que meu corpo deseja é uma cama limpa e um travesseiro acolhedor, mas nada disso parece importar, uma vez que te vens com uma velocidade incontrolável, me fazendo viajar em universos paralelos.

          Sei que não passa de um desgasto e certo conjunto de desgosto, mas no fundo eu gosto. Gosto da força com que infiltras teu furador no meu dor-orifício, gosto da energia aplicada à minha caixa eléctrica em risco de me causar curto circuito. No fundo gosto da explosão em meu corpo, embora fique carbonizada, nada parece importar; me fazes concordar com as mulheres que afirma que "homem de farda além de sexy é bom de pedreira". Ainda que gemendo de dor pelo dia fustigante, gosto quando me tomas violentamente com aquele perfil sedutor. Praticamente me perfuras os vestidos ao obrigares-te em mim sem carinho algum, parecendo que no fundo aquele lugar não era o melhor do mundo pra ti pro então e a pessoa também não parecia das melhores, mas como te vês num contentamento, aceitas e me tens como culpada.

          Me dou a reclamar quando se segue o processo, com minha voz em soprano, mansa e extremamente fina. Agatanho-te com prazer e me dou conta que afinal mesmo não merecendo e consciente do meu ferido erro, eu gosto.