Me Mbungula

          Me põe nua e me atira no chão, não tema a humidade, pois se teu fogo é suficiente pra incendiar uma cidade, também me pode tornar cinza. Tira o lobo mau da tua floresta e traga-o a minha caverna, faze-o me devorar, mesmo não tendo grandes olhos, boca ou dentes, faça-o me abrir o mambo.

          Nada de coisa de novela, eu gosto mesmo da selva, rasga-me as roupas, puxa-me os cabelos, abra-me as pernas e as faça voar baixinho como o jacaré do Joãozinho. 

          Como usa o desentupidor sua borracha à cadeira branca, faça assim também em minha terra castanha, deixa sua lama percorrer em minha vala como fazem as do chabá. Não te preocupes com amor, que isso não é um filme, muito menos serie mexicana. Dá-te mais a explorar as zonas jamais visitadas de mim. Faça-me partir os vidros, ao me lançares em gritos quando em expedição, racha as paredes do meu corpo e as deixe como as casas de Luanda e inunda-me que nem elas depois da chuva.  Arrepia meu corpo amaciando meus mamilos, electrocutando meus caminhos, me descontrola beijando-me as pontas das orelhas, escorregando pelos cantos do pescoço até as áreas com mais ossos. Oh senhor! me mbungula.

          Me dê razões pra dar a invejar as gatunas e a desejar o oposto. Penetra, dê continuidade a escavação outrora iniciada, usando como massa consistente aquilo que pra mim é como leite condensado, mas não ponha  placas, que não estou preparada para suportar peso, mas com tudo, me mbugunla.