Rua XV de Novembro

 Foto de Monique Renne

Foto de Monique Renne

Ele quis morrer entre a beleza do que os uniu, ela não sei.

Passava duas vezes ao dia por aquela rua. Na primeira tinha o filho nas mãos; na segunda, em sentido contrário, vinha só e desconsolada. Sentava-se num dos bancos velhos que decorava o calçadão. Sentava-se ali silente. Muda como o banco que suportava a sua dor. Pelo menos as árvores dançavam ao passar dos ventos; a felicidade dos turistas contagiava até os sanhaços distraídos, e ao animarem-se, iam pelos céus das casas térreas desalinhadas que acoitavam roseiras e trepadeiras, mas a ela nada comovia.

A rua carregava o brilho dos seus dias primeiros e o pesar do derradeiro. Tiveram-se com volúpia, e foi-lhes sempre orgástico. Porém, cada passado convencia-lhe da insignificância do futuro. Ali mesmo, sob o deslizar do astro do dia, num céu, não mais tão azul, que poderia facilmente passar por felicidade para as almas adventícias, no banco polvorento dos muitos beijos, levou o seu corpo à um repouso perene.