elegia à "minha" terra

até então...

campos alegres de minhas pernas tortas

suor das correrias dos meus dias 

desvio das cordas da minha mãe

até então...

banhos vermelhos do meu corpo miúdo

galhofas de puto

por esses becos mesmo

por estradas demoradas

até então lugar das minhas primeiras falas

ares dos meus poucos choros 

quentes colos 

até então 

tapete areiado das patas curtas

lugar de minhas corridas

leve casquinada

sob os duros raios de sol 

daqui o único farol

meus dias

até então minha vida

hoje sou os mil que a mesma terra come 

as carnes frescas em que se dorme

hoje sou berros secos de corpos esgotados 

óbito parado

até então...

entre rostos milhares

parte dos ditos pilares

hoje entre pedras sem betume

levado adiantado

jogado ao passado

até então sonho meu

crescer pra viver

hoje do que me deu

chorar para me ver

até então...

campos alegres de minhas pernas tortas

campos repletos de nossas vidas poucas