Sonhos Assombrados

          É real, tão real quanto a forma que te vejo.  Teus cabelos dançantes no meu peito, no meu umbigo teu beijo. São de hoje as águas que escorrem de mim pelo agressivo do meu pensar, o elícito do meu querer. Teus longos vestidos no atravessar do meu pescoço, minhas mãos na busca dos caroços, é real, tão real quanto as mesmas noites. Sei ainda do perfume nos lençóis que nos resguardaram, da sentença dos justos, teu olhar meio apagado, meio entregue, tuas mãos constantemente quentes. Vejo com claridade o sorriso que me foi conquistado, vejo o corpo hoje parado. A pele suave que me banhava de brandura, não podia estar mais dura, menos redolente. Os dedos que usou em si, os mesmos que carregavam o resto das minhas mordidas, estas mesmas partes de ti se endurecem ao segundo, perdem a ousadia de um dia, e enquanto passo as peças outrora em si, levando pra lá jardins que jamais, implanto nos poucos cantos do meu raciocínio verdades que não são nossas declarações. Penso no chocolate que corria por sua figura ao morder o morango que o trazia, assisto o lento cegar do teu olhar, enquanto viajo pelas curvas paradas do corpo deitado que me encara. Recolho os berros silenciosos do estreitar do teu sorriso. Vou pelo profissionalismo com que mordo pra lá da tua figura tangas de cores que jamais verei, peças que eram nada perante o ser do teu completo. É real, tão real quanto os dias que vão pela corrente do rio que engenhoso nos foi. Deixo meus dedos e o apressar do meu engolir levar de volta as lágrimas que hoje se fazem minhas pois então que te almejo já te foste. Se te deixasse então roçar meus cabelos e deitá-los em teu colo, se abandonasse essa maldita vontade de ser grande talvez não fosse tão minúsculo hoje. Talvez não encurtasse daqui minhas noites, não fosse necessário alastrar meus faróis, nem dançar isolado. Mas é real, tão real quanto os dias sem sol que se avizinham pois se desfez meu astro.  

 Imagem retirada do google. 

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