Láurea - Parte 1

Sou das pessoas mais ingratas que alguma vez conheci, mas todos os dias tento com todas as forças fazer melhor, ser melhor, e/ou dar o meu melhor. Não digo isso por modéstia, nem tão pouco procuro comiseração. É verdade que me vejo assim, todos os dias que acordo olho no espelho e vejo expostas as mil coisas em minha vida que precisam correção.

Acredito em Deus, acredito nessa força maior, é minha loucura favorita. Creio que por intermédio Dele essa luta pela restauração da minha vida tem sido não tão dificultosa. A vida me tem presenteado com pessoas/coisas que até hoje não sei explicar, as vezes parece que perderam viagem e acabaram por aterrar nessa aventura que é a minha vida. 

De vez em quando faço algumas paragens e me ponho a reflectir, gosto desses momentos, fico lá, sentada ou em pé, sorrindo ou chorando, as vezes consigo mesmo me desfazer deste mundo e me vejo no meu, é maravilhoso. 

Penso que já compartilhei com vocês várias vezes a minha paixão pelo trabalho comunitário, não me sinto obrigada a fazê-lo, antes motivada. Desde mais nova que me vejo envolvida em atividades que velam pelo bem-estar das comunidades em que faço parte, vezes há que o processo se faz instantâneo, sem me dar conta minhas mãos se põem em acção. 

Tudo isso pra introduzir a minha confissão de hoje. (desculpa pelo palavreado).

Há alguns minutos atrás recebi um e-mail da coordenadora do "Service-Learning", a tradução literal faz pouco sentido, mas este departamento, ou esta subdivisão da universidade que frequento, é ligada aos serviços comunitários, eles servem como elo de ligação entre os alunos/decentes e a comunidade em geral, não só organizam actividades, mas também indicam aos alunos actividades a serem organizadas por terceiros. 

A coordenadora, Nik, enviou-me o email com as palavras mais doces e inspiradoras que alguma vez li a me avisar da cerimónia de reconhecimento dos alunos que se dedicaram a comunidade este ano a realizar-se na próxima semana; Nik fez questão de sublinhar o facto de que eu fui a única voluntária que dedicou mais 100 horas à comunidade e por tal estarei a receber uma medalha. Se fosse residente deste país, Estados Unidos da América, estaria recebendo uma carta do presidente a reconhecer o meu trabalho, mas o título de estudante internacional me rouba essa maravilhosa honra. Mas não podia estar mais feliz, estou em festa mesmo no silêncio em que estou, é demais. 

Ser reconhecida, receber um mérito, é sempre uma grande honra, e ainda que tenha mil motivos pra não receber, vou abraçar aquele um que o mundo viu em mim e decidiu celebrar. Que não seja o mesmo pra vangloria, mas impacto, inspiração, e exemplo. Almejo que seja quem for que tomar conhecimento do mesmo, se sinta inspirado a fazer melhor e maior. Lembrando que é "apenas" (não querendo decrescer a importância e valor do prêmio) um papel, e o verdadeiro galardão é o resultado das acções. O sorriso da pessoa a quem contaste a piada, o que na tua mão encontrou segurança ao atravessar a rua, o que teve o que comer porque pão o concedeste, o que conseguiu abrir um negócio pela ideia/dinheiro que ofereceste, o que se fez forte depois da tua poesia/música/pintura, o que viu algo inspirador nas tuas acções. Que esta medalha seja isso pra mim também, resultado d´algo genuíno. 

Lembrem-se também que ajudar é simplesmente divertido, as fotos acima devem reflectir isso.

Cláudia CassomaComment