Gratulação

Quem sabe de mim sabe que sou das pessoas mais bobas na face da terra. A s coisas mais minúsculas me fazem chorar, me fazem sorrir, me fazem dançar, me fazem abraçar, enfim, me fazem viver. 

Dificilmente também falo sobre os meus sentimentos, meus sonhos e ânsias, há quem me chame "reservada", há quem vê negror. 

Mas hoje mesmo só quero falar sobre as pessoas doces que venho conhecendo. Entre as disciplinas que tenho neste semestre está Literatura Infantil, e confesso que é das aulas mais divertidas e inspiradoras que tenho. Minha professora é um doce, ela me faz ver os educadores de um ponto de vista completamente diferente, até mesmo o sistema educational no geral. Ela apercebeu-se que ando já há muito afogada nesse mundo das letras e pediu-me que falasse sobre a minha experiência numa das aulas. 

Experiência?! Mas eu não sei nada, não fiz nada, não vivi nada ainda, não tenho nada pra falar.  Estava lá eu a dar voltas na minha cabeça, a procura de uma boa desculpa pra escapar essa. Mas ela estava disposta a me ver banhada de vergonha e timidez encarando aos meus colegas. 

Hoje foi o dia. Sentei-me ao dela, de tão doce e carinhosa que ela é, e falei sobre o que sabia, sobre essas coisas mesmo que me pareceriam insignificantes, e me dei a conhecer nessas linhas, linhas tortas, mal formadas, linhas simples, curtas, minhas. Sentei-me aí e "vendi" a minha imagem com a ajuda de alguém que mal me conhece, e não podia ser melhor. 

Vi muito nos olhos desses que me encaravam, vi coisas que preferia não ver, mas vi também uma certa admiração, uma certa alegria, talvez inspiração, vi curiosidade, vi uma felicidade pela felicidade alheia, e foi aí que pensei: AH! A professora poderia muito bem me dar mais tempo pra falar, falei pouco! Tenho a certeza que nem todas me queriam ouvir, mas a alegria que me transmitiu o grupo de pessoas interessadas foi suficiente pra jogar pra fora a Cláudia menos acanhada. 

O que mais me surpreendeu, mesmo nãos sendo a primeira vez a acontecer, foi ter alguém a falar comigo sobre um assunto que claramente não fui amestrada, claramente não sei nada. Minha colega esperou-me no corridor depois da aula e começou a falar comigo, a fazer sobre como é ser membro desta comunidade de pessoas interessadas nas letras, como é publicar um livro, como é realmente poder fazer o que se ama. E mais uma vez, eu, Cláudia Cassoma, pessoa perita em nada, sentei-me ali na calçada das escadas a falar tão bem, tão apaixonadamente sobre algo que pouco ou nada sei, foi gratificante, momento merecedor de um espaço enorme na minha caixa de memórias. 

Aproveito pra agradecer a todos que me têm servido de encorajamento nessa jornada que mesmo cortando minha pata enquanto me arrasto pela estrada não rouba meu sorriso ou minha vontade de fazer melhor, de continuar, são vocês, certamente, a minha inspiração, meu orgulho, seres que trazem à superfície o meu melhor, agradeço por tal. 

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Cláudia CassomaComentário