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escrever é minha vida, ler te fará viver

Em 1993, sob o célebre calor luandense, nos braços duma mulher que também tratei por avó, ecoaram os meus primeiros berros. Ainda sem sonhos, talvez. Exclusivamente detenta num apego excessivo aos próprios interesses. Passados nove cacimbos, ao iniciarem as chuvas, aqueles rugidos elevados e ásperos aclamaram a artista inerente à mim. Desde então, as primaveras têm servido para conhecer o muito que posso e desejo ser.

Por me ver na complexidade e multitude de artista, me abstenho de definições restritivas. Hoje,  também sou académica de Educação Especial. Sobrenado mares revoltos, porém, compensadores, com braços fortes e aspirações já firmes.

Depois de muito tempo experimentando vários géneros, em 2013, estreei-me no insólito universo literário publicando o poemário Amores que nunca vivi sob chancela da editora norte-americana Trafford Publishing. Actualmente sou autora de cinco obras literárias publicadas.

Fora o número de publicações supracitado tenho, no meu repertório literário, obras publicadas em periódicos internacionais, como: The Red Jacket (E.U.A., 2014), The Sligo Jornal (E.U.A., 2015), Antologia dos Melhores "Novos" Poetas Africanos (Camarões, 2015-16), Antologia de Textos Premiados da AVL (Brasil, 2016), The Wagon Magazine (Índia, 2017), Teixeira de Pascoaes Vol.III — Pensamento e Missão (Portugal, 2017), Antologia do Concurso Literário de Itaporanga (Brasil, 2017), Maryland’s Best Emerging Poets (E.U.A, 2018), CIVICUS’ State of Civil Society Report (África do Sul, 2018), Revista Empodere (Brasil, 2018),  Revista Philos (Brasil, 2018) e Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea “Entre o Sono e o Sonho” (Portugal, 2018).

Pelo enredo da vida que tenho construído com erros, eversões e esforço, estão sinais do meu potencial e ganhos pela minha devoção. Em 2016, do Brasil, o Prémio Maria José Maldonado de Literatura, foi o primeiro que recebi. No ano seguinte, Portugal e Brasil voltaram a condecorar-me com o prémio de participação no Concurso Artístico Teixeira de Pascoaes e o de participação no 6º Concurso Literário de Itaporanga, respectivamente. Em 2018 foi a Menção Honrosa no 2º Concurso de Haicai de Toledo - Kenzo Takemori. Ainda considerando a complexidade e a multitude do ser em mim, tenho vivido outras vidas que também me proporcionam razões para celebrar. Na primavera de 2017 fui nomeada para o Prémio Líder Emergente do Montgomery College. E, na mesma instituição, conquistei medalhas e certificados na área de acção social.

Desde que me conheço como peça necessária do quebra-cabeça social, poucas coisas são tão importantes quanto a realização efectiva da minha responsabilidade para com a sociedade. Essa compreensão também me tem rendido condecorações como dois Certificados de Cidadão Diplomata outorgados pela Universidade do Distrito de Columbia em Washington D.C. Fui igualmente convidada para dissertar em conferências internacionais como a de Educação para a Cidadania Global na Bélgica e a da Embaixada do Brasil em Washington, D.C. sobre as “Vozes femininas na literatura de língua portuguesa”. Também tive a honra de escrever o poema “Éden” que se tornou a música “Rishikesh” do álbum “antes da monção”, o segundo do grupo musical português, SENZA.

Na tentativa de honrar todo esse reconhecimento e dar vida à uma das minhas maiores paixões, fundei a SmallPrints, uma organização sem fins lucrativos com intenção de participar activamente na formação de uma sociedade justa e responsável pelo êxito de toda criança.

Uma das coisas de que mais me orgulho é o lindo continente que trato por coração, África. Conduzida pelo que almejo um dia fazer por ele, no início de 2018, participei de uma formação profissional de historiadores adquirindo certificação e habilidades para praticar, com eficiência, a história oral. A formação foi oferecida pela D.C. Oral History Collaborative, com a colaboração da Humanities D.C. e da D.C. Public Libraries.

Todos os dias, a menina que berrava sonhos nenhuns e vivia num apego excessivo aos próprios interesses vai conhecendo sua completude. Auspiciosa, ela segue caminhos que vão desde a arte da representação gráfica da linguagem aos que aproximam o mundo à uma metamorfose.